Roraima tem o maior projeto de Bovinocultura Indígena do país

A família de Benízio Roberto de Souza mora na região de Pedra Branca, no município de Uiramutã, à 239 km de distância da capital de Roraima. O sustento da família vem de atividades como caça, pesca, cultivo de alimentos e da pecuária.

A atividade foi introduzida na rotina dos indígenas de Roraima ainda em 1700, no período de colonização do território de Roraima. Desde então, os indígenas incluíram os cuidados com o rebanho na sua rotina diária. Os currais e os próprios animais se misturam à paisagem da estrada que dá acesso ao município.

Para essas famílias, o gado representa fonte de alimento e renda. “Usamos o esterco para a plantação e na alimentação aproveitamos o leite e a carne. Quando a comunidade precisa comprar alguma coisa, a gente até negocia a venda de um dos animais para conseguir o dinheiro”, explicou o morador.

Hoje, a região de Pedra Branca, que reúne 86 comunidades indígenas, possui um rebanho estimado em 12 mil cabeças de gado.  Eles foram os primeiros a receber os animais adquiridos no bovinocultura indígena desenvolvido pela Funai. “Esse projeto é importante não só para Pedra Branca, mas para todas as famílias que vivem aqui na região da Serra”, afirmou Benízio.

As comunidade indígenas de Uiramutã receberam 2.320 animais, sendo 110 reprodutores. O objetivo da ação é melhorar a qualidade genética do gado, promovendo a ampliação do rebanho e autonomia para os povos indígenas.

Os animais foram entregues após vistoria, todo o rebanho já está vacinado contra a febre aftosa e vermifugado. “Como veterinário fiquei muito impressionado com um projeto dessa monta. São animais de qualidade, vacinados, vermifugados e que receberam até complementação de vitaminas. Nenhum outro Estado, que eu tenha conhecimento, desenvolve uma ação como essa”, afirmou o veterinário da Coordenação Geral de Etnodesenvolvimento da Funai, Vitor Laércio.

Parceria – A aquisição de gado para as comunidades indígenas foi um projeto que começou por iniciativa do deputado federal Édio Lopes. Em 2017, ele apresentou a proposta ao senador Romero Jucá que conseguiu os recursos necessários para atender, pela primeira vez, todas as comunidades indígenas de Roraima.

“Eu e o senador Romero Jucá nos empenhamos de forma muito resoluta na consolidação desse projeto. Esse é o maior projeto de bovinocultura realizado no país para comunidades indígenas. Estar aqui, neste momento que transforma esse sonho em realidade, é de muita alegria pra mim e motivo de muita alegria também para o senador que foi decisivo na implantação, desenvolvimento e consolidação desse projeto”, disse o deputado federal.

No total, foram adquiridos 8.400 animais para atender os indígenas desde o Uiramutã até as comunidades da etnia Wai-Wai no Sul de Roraima. “Todas as comunidades indígenas do nosso Estado serão atendidos com matrizes e com touros, exatamente para melhorar o rebanho desses povos e até implantar rebanho onde não tem. Nós conseguimos mais de 8 mil cabeças de gado para melhorar a condição das comunidades indígenas. Estou muito feliz, é um projeto muito importante e além dele, tenho outras ações para atender esses povos”, disse o senador Romero Jucá.

Ele também é autor do projeto de Lei do Senado 124/2018 que propõe a criação da Secretaria Especial de Educação Indígena, trazendo essa responsabilidade para o Governo Federal.

O senador também contribui com as ações de saúde dos povos indígenas, destinando recursos para aquisição de materiais e equipamentos médico-hospitalar, instalação de pontos de acesso à internet e sistema de água encanada nas comunidades atendidas pelo DSEI-Leste.

Apoio Técnico

O projeto de bovinocultura garante ainda o acompanhamento técnico por parte da Funai. Os profissionais serão responsáveis por orientar a comunidade no manejo dos animais. No primeiro ano, a Funai também fornecerá insumos e materiais para manter a saúde e nutrição do rebanho.

“A Funai irá acompanhar esse projeto custeando a questão de sal, agulha, pistola, arame e outros insumos durante um ano, para que os indígenas tenham a condição de cuidar desse gado. O contrato dura três anos e a partir daí, as comunidades podem mexer no projeto, retirando animais que não reproduziram bem, ou os machos que eles não tem costume de ficar”, explicou o coordenador Estadual da Funai em Roraima, Armando Neto.

Em três anos, a expectativa é que essas fêmeas tenham tido duas gestações. Em seu tempo de vida reprodutivo, cada vaca tem capacidade de gerar até 15 bezerros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *