Projeto itinerante leva crianças carentes ao cinema e oferece oficinas de audiovisual para adolescentes

Oferecer a crianças que nunca foram ao cinema a oportunidade de assistir filmes em 2D e 3D e ensinar noções básicas de produção audiovisual a jovens de 20 municípios da Amazônia (13 no Amazonas, 4 em Roraima e 3 no Pará). Eis o objetivo do projeto Amazon Cine 3D, que nasceu da iniciativa de Kleverson Redivo, consultor de marketing cultural, que decidiu levar sessões de cinema itinerantes para comunidades remotas da região. Devem ser alcançadas pelo menos 30 mil pessoas, entre crianças, jovens e adultos com as sessões de cinema. Cerca de 2 mil adolescentes devem ser impactados pelas oficinas, uma vez que cada uma delas atende a 100 estudantes.

Financiado pela Lei Ruanet, o projeto – o primeiro do gênero na Amazônia – conseguiu captar R$ 1,2 milhão para levar sessões de cinema itinerante e oficinas de produção audiovisual para comunidades amazônicas nos estados do Amazonas, Pará e Roraima. Trata-se da primeira iniciativa do gênero na região. Aqui em Roraima o projeto vai visitar, ainda os municípios de São João da Baliza, São Luiz e Rorainópolis. Além do apoio do Ministério da Cultura e do financiamento por meio da Lei Ruanet, a iniciativa conta com o patrocínio da Coca-Cola, Ministério Público do Trabalho e da Honda.

De acordo com Marcus Alberto, coordenador de mídia e produção, o projeto é desenvolvido em parceria com as prefeituras de cada município visitado. Dessa forma, as secretarias municipais de educação e cultura ficam responsáveis por fazer a seleção dos jovens que vão participar das oficinas de audiovisual e também pela distribuição, entre os alunos das escolas públicas locais, de forma gratuita, dos 1.500 ingressos disponibilizados pelos organizadores do projeto.

Ensinado a contar histórias

As oficinas ministradas para os jovens dos municípios contemplados tratam sobre a história do cinema e oferece aulas práticas onde são ensinadas noções de roteirização e produção, da qual vai resultar um filme com três minutos sobre o futebol feminino. “Os jovens aprendem desde a etapa de pesquisa até a pré-produção, pós-produção, roteirização, captação de imagem, montagem e finalização. O objetivo é plantar uma semente para que depois aqueles que tenham vocação para a produção audiovisual ou que tenham sido impactados pelo projeto, caso despertem o interesse, possam aprofundar seus estudos na área”, explicou.

Na parte prática, os participantes da oficina são motivados a produzir um curta-metragem com duração de 3 minutos sobre a prática do futebol feminino em seu município. Aliás, o futebol feminino é tema central do projeto em todas as 20 cidades visitadas. Numa etapa posterior, todos os curtas serão juntados à produção feita nos 20 municípios visitados pelo Amazon Cinte 3D, resultando num longa-metragem de uma hora, cujo objetivo é contar um pouco sobre a prática do futebol feminino na Amazônia. “Todos os curtas são filmados com celular, por ser mais prático e estar ao alcance dos jovens, além de fazer parte de um movimento moviemaker em voga em todo o mundo. Hoje já existem mostras mundiais de cinema com filmes feitos apenas com o uso do celular”, disse Marcus Alberto.

Kleverson Redivo explicou que, ao pensar o projeto, queria saber como as crianças que nunca tiveram a oportunidade de ir ao cinema iriam reagir diante de uma tela exibindo um filme em três dimensões. “O mais legal do projeto, além da recepção e do apoio dos prefeitos, é ver a reação das crianças na sala de exibição. Muitas delas, por nunca terem ido ao cinema, tentam pegar as imagens em 3D. Chega a ser emocionante”, contou. Mas a ambição da iniciativa é maior que isso, principalmente no tocante às oficinas de audiovisual.

Montagem da tenda do projeto Amazon Cine 3d em Caroebe:

“A intenção é fazer com que os jovens se aprofundem na tarefa de contar histórias. Seja no cinema ou no jornalismo, que o façam com profundidade, pesquisa e levem um conteúdo para o público que tenha começo, meio e fim e não seja um relato raso da realidade, mas que mostre o maior número de ângulos possível”, disse o consultor de marketing cultural.

Adolescentes como Itaane Sousa Carvalho, 15 anos, foram imediatamente impactados pelo projeto que, para ela, consiste numa grande oportunidade de aprendizagem. “É muito legal poder aprender sobre como produzir filmes. Este é uma oportunidade que nós podemos levar para o nosso futuro”, disse. A jovem, que antes pensava em estudar medicina, já no primeiro contato com a produção audiovisual disse agora querer ser produtora de cinema. “O que nós estamos aprendendo hoje, não podemos deixar que fique apenas aqui. Temos que levar adiante, pois pode mudar a nossa vida”, afirmou. “O que eu aprendi nesse projeto eu vou levar para o resto da minha vida”, disse.

A equipe do projeto se reúne com servidores da Prefeitura de Caroebe para discutir a realização das atividades no município:

Errata: No vídeo eu digo que serão visitados quatro municípios do Pará, mas, na verdade, serão apenas três municípios contemplados naquele estado.

Com reportagem de Luiz Valério

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