Prefeita apresenta resultado do mapeamento de venezuelanos que vivem em Boa Vista

Durante coletiva de imprensa que ocorreu no Palácio 9 de Julho, nesta segunda-feira, 18, a prefeita Teresa Surita apresentou o resultado do Mutirão de Escuta Acolhedora e Sistematizada, mapeamento feito pela Prefeitura de Boa Vista cujos dados apontam que atualmente 25 mil venezuelanos vivem na capital, o que representa um percentual de 7,5% da população de Boa vista.
O trabalho de campo, feito de porta em porta, ocorreu no período de 28 de maio a 9 de junho e envolveu mais 1.200 servidores. No último dia de pesquisas, foram disponibilizados pontos de coleta em 34 escolas da capital, abrangendo todos os bairros. De acordo com a 1ª Brigada de Infantaria de Selva, a média de entrada diária de venezuelanos em Roraima nos últimos cinco meses foi de 416.
Para Teresa Surita, os dados do mapeamento serão encaminhados ao Governo Federal para que as medidas necessárias sejam tomadas. “Nossa ação contribuiu para chegar a um número mais próximo da realidade. Assim, podemos fazer uma projeção dessa situação até o fim do ano e cobrar medidas efetivas. Minha proposta é apresentar ao presidente Michel Temer uma federalização mensal, de 500 imigrantes desassistidos, para outros lugares do Brasil de forma mais consistente”, destacou a prefeita.
Como está Boa Vista hoje
O mapeamento conclui o perfil dos refugiados em Boa Vista:
– 98% dos imigrantes em Boa Vista são venezuelanos, sendo que 74% tem entre 15 e 60 anos;
– 57% são homens; 82% dos chefes de família pretendem trazer seus familiares que estão na Venezuela;
– 65 % são solteiros e desses, 60% são mulheres, 22 % são crianças até 11 anos;
– 43% possui cartão do SUS e 73% foram vacinados no Brasil;
– 81 % trabalharam na Venezuela mesmo que informalmente,
– 68% perderam o emprego nos últimos 3 anos, o que evidencia que são mão de obra economicamente ativa;
– 65% estão desempregados em Boa Vista, sendo que 90% destes não recebem nenhum tipo de ajuda;
– 10% moram em espaços públicos.
Projeção dezembro de 2018
O número de entradas de venezuelanos de janeiro a maio de 2018 foi 55% maior do que todo o ano de 2017. Se a curva de tendência continuar, até dezembro de 2018, Boa Vista poderá receber mais 10 mil venezuelanos.
Atualmente, a rede municipal de ensino atende 2.094 crianças até 11 anos, matriculadas no ensino fundamental. Na saúde, houve um aumento de 14% nos atendimentos do Hospital da Criança, uma média de mil atendimentos mensais a crianças venezuelanas. Nas Unidades Básicas de Saúde, 37 mil atendimentos a estrangeiros foram feitos no primeiro trimestre de 2018, o que corresponde a 47% do total dos atendimentos.
Cenários Boa Vista – Projeção dezembro/2018
Cenário 1
Considerando que 82% declaram que querem trazer suas famílias até dezembro 2018, o número de imigrantes pode dobrar. Consequentemente, haverá um aumento de 107% no total de imigrantes atual. O número de novos atendimentos nas UBS será de 13 mil no mês. No Hospital da Criança 1.070 novos atendimentos mês. Nas escolas, 2.241novos alunos no Ensino Fundamental.
Cenário 2
Considerando o ritmo de imigração apresentado pelo Exército (de Fevereiro a Junho de 2018), em dezembro de 2018, Boa Vista terá 33mil imigrantes, um aumento de 31%. Nas UBS, o aumento será de 3.900 novos atendimentos mês. No Hospital da Criança, o aumento será de 316 novos atendimentos mês. Nas escolas, 661 novos alunos no Ensino Fundamental; nos abrigos, 1.137 novas vagas ao mês.
Cenário 3
Caso se mantenha o ritmo atual de entrada de imigrantes, somando-se à chegada das famílias dos já residentes em Boa Vista, em dezembro de 2018 a cidade terá mais de 59 mil imigrantes, um aumento de 230%. Nas UBS, serão 17.036 novos atendimentos ao mês. No Hospital da Criança serão 1.386 novos atendimentos mês. Nas escolas serão 2.902 novos alunos no Ensino Fundamental. E, 4.989 novas vagas em abrigos mês.

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