Audiência pública aprova duas moções sobre estratégia de saúde

Propostas apresentadas pelo Ministério Público de Roraima e aprovadas por unanimidade durante a segunda audiência pública que discutiu o combate ao suicídio no Estado, no dia 25 de setembro, preveem a implementação de ações contidas na Carta de Roraima, no que tange à defesa da vida e o tratamento de saúde apropriado para pessoas que sofrem com depressão e que podem cometer suicídio.

Mais de 150 pessoas discutiram o assunto, que deu continuidade às atividades propostas pela Lei 1.065, de autoria do deputado estadual Evangelista Siqueira (PT) e que dispõe de ações de sensibilização em torno do Setembro Amarelo, com palestras, rodas de conversas, caminhadas, dentre outras manifestações.

No ano passado as discussões tinham 12 entidades parceiras. Este ano o número saltou para 26, entre governos estadual e municipal, órgãos fiscalizadores, Diocese de Roraima e outras manifestações religiosas e espíritas.

“Discutir o assunto é importante. Tem que ser agora. Roraima ainda figura o segundo lugar no ranking de mortes por suicídio no Brasil e essa estatística precisa mudar”, disse o autor da Lei 1.065, Evangelista Siqueira, ao declarar que a união de esforços da iniciativa pública e privada faz diferença no resultado final. “Queremos diminuir esse índice e para isso, o diálogo é o melhor caminho”.

A audiência pública, que ocupou as galerias do plenário Valério Magalhães, fez parte das ações do Setembro Amarelo, que encerrou as atividades deste ano com a segunda caminhada pela Vida, como ato simbólico em combate à prática do suicídio.

Segundo a promotora da Saúde, Jeanne Sampaio, as propostas foram no sentido de que os governos estadual e municipal adotem medidas de cumprimento da Carta Roraima – em defesa da vida, para oferecer uma atenção psicossocial ainda melhor.

“Temos muitas pessoas afastadas do trabalho, muitas pessoas com depressão, muitas famílias sofrendo e o fortalecimento da rede de atenção psicossocial certamente vai contribuir para uma melhor atenção a todas essas pessoas que vivem o dilema da ideação suicida”, disse a promotora, ao alegar que o ganho é para a sociedade.

Siqueira disse que as duas moções serão levadas para discussão em plenário, onde os deputados votarão. “Vamos trabalhar para a aprovação, uma vez que é de suma importância para a sociedade o fortalecimento da rede de atenção para pessoas que precisam de atendimento especializado”, frisou.

Os dados assustam. Segundo o OMS (Organização Mundial de Saúde) mais de 800 mil pessoas cometem suicídio no mundo e no Brasil esse dado passa dos 11 mil. Roraima continua na segunda colocação proporcional com mais suicídios no País. No ano passado foram contabilizados 32 e este ano, até o momento, 12.

As projeções são ainda mais assustadoras. A OMS prevê que em 2020, 1,53 milhão de pessoas tenham se matado. De 10 a 20 pessoas vão tentar tirar a própria vida.

Os médicos defendem a implantação de um protocolo, com a intenção de capacitar o profissional da saúde para a recepção e tratamento dessas pessoas que estão sofrendo de algum mal silencioso. “Precisamos desse protocolo clínico nas unidades de saúde”, defende a psiquiatra Raquel Pereira Lima, membro da Câmara Técnica de Psiquiatria do Conselho Regional de Medicina.

Segundo ela, os números são mais preocupantes quando se tratam das tentativas de suicídio, que não são contabilizadas no sistema. “Tem aquela pessoa que tenta tirar a própria vida, mas que não consegue”, alertou.

A discussão abrangeu também a educação. Ao longo do mês de setembro foram realizadas rodas de debates em escolas, a fim de esclarecer e orientar o aluno. A escola Monteiro Lobato, em Boa Vista, por exemplo, implantou um grupo permanente para dialogar sobre o assunto de forma pedagógica.

Os dados da Seed (Secretaria Estadual de Educação e Desporto) também chamam a atenção. Segundo levantamento feito pelo setor de psicossocial foram registrados este ano 215 casos de depressão de alunos da rede estadual de ensino e quatro tentativas de suicídios. (Leandro Freitas)

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