Agricultores contra ampliação ameaçam fechar BR-174 na quinta-feira, 21

Os produtores rurais que moram em Vista Alegre e Petrolina do Norte, no município de Caracaraí, a 190 km de Boa Vista, comunidades localizadas ao lado da Unidade de Conservação Ambiental Parque Nacional do Viruá, aproveitaram a audiência pública realizada na tarde de quinta-feira, 14, na Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALERR), para pedir ajuda e ao mesmo tempo mandar um recado para a classe política e para a população em geral.

Eles ameaçaram bloquear a BR-174 na próxima quinta-feira, 21, caso o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) não responda a contraproposta feita pela Associação dos Moradores e Produtores Agrícolas da Vila Petrolina do Norte, logo após a consulta pública realizada pelo Instituto.

Edimara Trajano, uma das integrantes da associação que representa os moradores, aproveitou a audiência e protocolou um ofício na Assembleia Legislativa, pedindo o apoio dos parlamentares estaduais. A manifestação com fechamento da BR-174 está na pauta dos agricultores por serem parcialmente contra a área de ampliação do Parque do Viruá.

“A gente sabe que existe um decreto governamental que impõem o repasse das terras para Roraima mediante o aumento da reserva do Viruá. Há cinco anos se discute esse aumento e nós, moradores, fizemos parte dessa discussão, mas nunca nos disseram o tamanho da área. Somente no ano passado tomamos ciência e nos manifestamos contra o tamanho da ampliação imposta pelo ICMBio. Durante a consulta pública, em massa, Caracaraí não concordou com o aumento. Fizemos uma contraproposta, e até agora não responderam. Se até o dia 20 deste mês não responderem, não sentarem conosco para chegarmos a um consenso, estamos dispostos a fechar a BR-174, no quilômetro que fica na Petrolina do Norte”, garantiu Edimara.

Os produtores sabem que o bloqueio da BR-174 traria prejuízos para todos, uma vez que a rodovia é a porta de entrada de abastecimento do Estado. “Não somos contra ampliação, mas queremos que seja aumentada apenas uma pequena área, onde não tem agricultores produzindo. A área que eles alegam ser improdutiva é produtiva, os laudos técnicos foram manipulados para tirar os agricultores”, acusou Edimara, ao salientar que reconhece que os produtores não têm termo de posse e que as terras são da União, como quase todas as terras no Estado.

O apoio da Assembleia, explicou Edimara, é para que os produtores sejam ouvidos. “Queremos o apoio do presidente da Assembleia para que faça uma conexão com os deputados federais e senadores, porque queremos ser ouvidos. Vamos fechar a BR-174 por tempo indeterminado, inclusive já temos cabeças de gados suficientes para entrar Natal e Ano Novo. Todos os moradores estão empenhados a serem ouvidos”, reforçou a agricultora.

O deputado Marcelo Cabral (PMDB) já havia se posicionado contrário a ampliação logo quando soube do interesse do ICMBio. “Fui pego de surpresa com a publicação de uma consulta pública que na época aconteceu em Caracaraí, Amajari e Alto Alegre, para aumentar os parques e reservas legais dentro de Roraima. O Estado já dá a sua contribuição com mais de 70% de áreas demarcadas. Querem aumentar o Parque do Viruá e outras áreas, mas isso é um problema sério. Aumentar para quê? Somos contra a ampliação”, ressaltou, comentando que a população está correta em se manifestar contra.

Relatório – No relatório o ICMBio alega que a ampliação atende ao quesito relevância social. “O Parque Nacional do Viruá representa um importante elemento para a reestruturação de cadeias produtivas e avanços na organização social de comunidades em Caracaraí. Por meio de programas direcionados à Integração Socioambiental e Uso Público, a Unidade de Conservação deverá fortalecer novas cadeias produtivas na economia local, vinculadas especialmente ao turismo ecológico e à agroecologia”, afirma o relatório.

A pesquisa que aponta a necessidade de ampliação do Parque Nacional do Viruá, com incorporação de áreas estratégicas a leste, nordeste e sul da Unidade de Conservação, foi feita por profissionais de diferentes institutos de pesquisa como Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Universidade Federal de Roraima (UFRR) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os quais afirmam que a ação é indispensável para a efetiva preservação do patrimônio e o devido aproveitamento das potencialidades naturais.

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